Papelão Ondulado
A embalagem de papelão ondulado é, muitas vezes, o herói anônimo da cadeia de suprimentos global. Presente diariamente na vida dos consumidores, ela é uma das responsáveis por garantir que produtos de setores como alimentos, bebidas, cosméticos, eletroeletrônicos, entre muitos outros, cheguem intactos ao seu destino.
No Brasil, o setor não é apenas uma engrenagem logística; é um verdadeiro termômetro da economia. Aproximadamente 63% das embalagens de papelão ondulado comercializadas no país são destinadas aos setores de bens não duráveis e de primeira necessidade (48,7% para a indústria alimentícia, 9,4% para hortifruticultura e 4,9% para personal care e farmacêuticos).
Fonte: IBPO – Índice Brasileiro do Papelão Ondulado – abril 2026.
Mas o que torna este material tão eficiente, versátil e sustentável?
A Engenharia Estrutural do Papelão Ondulado
Embora pareça simples, o papelão ondulado é um triunfo da engenharia de materiais. Sua resistência excepcional, com baixo peso, baseia-se em um princípio arquitetônico milenar: o arco. As ondas internas do papelão funcionam como arcos romanos contínuos, capazes de suportar enormes pressões e distribuir o peso de forma uniforme.
Uma chapa de papelão ondulado é formada basicamente pela união de dois ou mais elementos:
Capas
São os elementos planos que revestem o miolo
Miolo
É o elemento ondulado central da chapa de papelão ondulado
Chapa
É a estrutura formada pela união de dois ou mais elementos planos e ondulados de acordo com o tipo de onda especificada.
Anatomia das Ondas: Tipos e Especificações
A geometria dada ao miolo na máquina onduladeira é fundamental para definir a aplicação da embalagem. Os tipos de onda determinam a espessura da chapa e sua resistência ao empilhamento (RCA) e a impactos. Abaixo, detalhamos os perfis geométricos padrão do mercado, designados por letras:
Tipo de Onda | Altura Média (mm) | Nº de Ondas por Metro Linear | Aplicação Principal (Adendo Técnico) |
A | 4,5 | 105 a 125 | Máximo acolchoamento para produtos frágeis |
C | 3,6 | 130 a 155 | Padrão global, excelente equilíbrio entre resistência e superfície de impressão |
B | 2,5 | 150 a 185 | Alta resistência a furos e esmagamento plano (ex: latas e garrafas) |
E | 1,2 | 280 a 320 | Embalagens de varejo, cosméticos e e-commerce (alta qualidade de impressão) |
F | 0,8 | 420 a 500 | Caixas de luxo e displays de ponto de venda (PDV) |
N | 0,5 | 520 a 620 | Embalagens premium |
Miolo
Matéria-prima: Os Tipos de Papéis Utilizados
A desempenho da embalagem depende diretamente da combinação de papéis utilizada em sua fabricação.
Para atender às exigências de cada cadeia logística, a indústria desenvolve diferentes composições com fibras virgens e recicladas. Enquanto as fibras virgens oferecem maior resistência mecânica, as fibras recicladas contribuem para a circularidade dos materiais e o uso eficiente de recursos, permitindo alcançar o equilíbrio ideal entre desempenho, sustentabilidade e custo.
Miolo Reciclado
Produzido a partir de fibras recicladas provenientes de aparas de papel e papelão, oferece bom desempenho estrutural aliado ao uso eficiente de recursos. É amplamente utilizado na fabricação de embalagens para diferentes aplicações logísticas, contribuindo para a economia circular do setor.
Miolo de Fibra Virgem
Produzido com fibras virgens de alta qualidade, proporciona maior resistência, desempenho estrutural e confiabilidade para aplicações que exigem maior capacidade de proteção e suporte.
Miolo Semiquímico
Produzido a partir de fibras virgens submetidas a processos químicos e mecânicos, apresenta melhor resistência à umidade e excelente desempenho estrutural. É amplamente utilizado em aplicações que demandam maior durabilidade, como embalagens para frigoríficos e ambientes com elevada exposição à umidade.
Capas

Kraftliner
Produzido predominantemente com fibras virgens de celulose. Oferece melhor resistência ao rasgo, ao estouro e à umidade, sendo indicado para embalagens destinadas a câmaras frias, contato com alimentos, exportação e acondicionamento de produtos pesados.

Reciclados (Testliner / Fluting)
Produzidos com fibras recicladas, podendo conter diferentes percentuais desse material. Apresentam boa resistência à compressão, ao rasgo e ao estouro, sendo compatíveis com a maioria das aplicações em embalagens.

White Top Liner
Possui cobertura branca, composta por fibras virgens branqueadas, que proporciona maior lisura e otimiza o contraste e a qualidade visual de impressões em alta definição.

Papéis Especiais
Recebem recobrimento químico para conferir repelência à água (hidrofugação), aumentar a resistência à abrasão ou reforçar a barreira contra gorduras.
Como o Papelão Ondulado é Fabricado?
A fabricação do papelão ondulado é um processo industrial contínuo que combina tecnologia, precisão e alta produtividade para transformar bobinas de papel em embalagens resistentes e versáteis.
O principal equipamento desse processo é a onduladeira, uma máquina que pode ultrapassar 100 metros de comprimento. Nela, os papéis são aquecidos com vapor, ondulados sob pressão e unidos por um adesivo à base de amido.
É nessa etapa que o miolo ondulado é combinado às capas, formando a chapa de papelão ondulado. Dependendo da aplicação e do desempenho requerido, podem ser produzidas estruturas de face simples (FS), parede simples (PS), parede dupla (PD) ou parede múltipla, cada uma projetada para atender diferentes necessidades de proteção, armazenamento e transporte.
Após a formação da chapa, o material segue para a etapa de conversão, onde a embalagem recebe sua configuração final. Nessa fase, são realizados processos de impressão, corte, vinco, dobra e colagem, transformando a chapa em caixas prontas para uso.
Os principais processos de conversão são:
Flexo Folder Gluer (FFG) – Máquinas integradas que realizam, em um único fluxo contínuo, a impressão flexográfica, o vinco, o corte, a dobra e a colagem das caixas. Esse processo é amplamente utilizado na produção de caixas do tipo maleta, garantindo alta produtividade e padronização.
Corte e Vinco (Die-cutting) – Processo que utiliza ferramentas especiais equipadas com lâminas de corte e linhas de vinco para, por meio de estampagem plana ou rotativa, criar embalagens com formatos personalizados. Permite a produção de caixas com geometrias complexas, travas automáticas, alças, divisórias e aberturas de ventilação, sendo amplamente empregado em segmentos como hortifrúti, alimentos, bebidas e comércio eletrônico.
Após a conversão, as embalagens são empilhadas, paletizadas e enviadas aos clientes, prontas para proteger produtos ao longo de toda a cadeia de armazenamento, transporte e distribuição.
Para o Miolo
Sustentabilidade e Economia Circular
O papelão ondulado é um dos principais exemplos de economia circular em larga escala. Produzido a partir de uma matéria-prima renovável, ele combina desempenho, reciclabilidade e eficiência logística, contribuindo para uma cadeia produtiva mais sustentável.
No Brasil, 100% da fibra virgem utilizada na fabricação de embalagens de papel provém de árvores plantadas para fins industriais, cultivadas em áreas manejadas especificamente para esse propósito. Além disso, cerca de 45% da massa de uma embalagem de papel é composta por carbono estocado, que permanece retido nas fibras ao longo de seu ciclo de vida.
A circularidade também é uma das principais características do setor. Atualmente, 64,9% das embalagens de papel consumidas no país são recicladas, retornando à cadeia produtiva como matéria-prima para novos produtos. No caso do papelão ondulado, a utilização de fibras recicladas já é uma prática consolidada, reduzindo a necessidade de recursos adicionais e fortalecendo o ciclo de reaproveitamento dos materiais.
Além dos benefícios ambientais, o setor possui grande relevância econômica e social. A cadeia brasileira de papelão ondulado gera 28.489 empregos diretos e fornece embalagens essenciais para segmentos como alimentos, bebidas, hortifruti, medicamentos, indústria e comércio eletrônico.
Esse desempenho se reflete na crescente demanda pelo material. Em 2024, foram expedidas 4.247.991 toneladas de papelão ondulado, o maior volume já registrado na história do setor no Brasil, demonstrando a confiança do mercado em uma embalagem que alia desempenho mecânico, eficiência logística e compromisso com a sustentabilidade.



