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Greenwashing: parece, mas não é

Traduzido ao pé da letra, Greenwashing pode ser entendido como “lavagem verde”, ou “desinformação disseminada por uma organização para apresentar uma imagem pública ambientalmente responsável”, segundo o Dicionário Oxford.

Com a sustentabilidade em alta, empresas e até governos procuram passar uma imagem adequada a essa exigência. Todos querem vender uma imagem ambientalmente adequada, mesmo que a realidade não seja bem essa.

Não são poucos os casos, em que o greenwashing têm sido usado para esconder uma realidade não muito atraente. Um caso famoso foi o da Volkswagen, em 2015, que utilizou um programa de computador para falsificar resultados de emissões de poluentes em seus veículos com motores a diesel. Quando o escândalo foi descoberto, a empresa alemã teve que fazer um recall de milhões de veículos, além de arcar com uma marca arranhada perante a sociedade e um forte prejuízo em seu balanço financeiro.

Mas ela não é a única. A Two Sides cita uma pesquisa recente realizada pela The Harris Poll para o Google Cloud, que mostra que 72% dos CEOs na América do Norte admitiram que suas empresas utilizam a prática de greenwashing.

Índices nas bolsas de valores que agrupam companhias com boas práticas de ESG, algo tão importante hoje em dia para as empresas, têm se esforçado para fechar o cerco sobre greenwashing, enquanto fundos de investimento enfrentam escândalos quando aparecem realidades distintas das que vendem aos investidores.

A prática se tornou tão comum, que afeta até quem não tem nada com isso. A epidemia de greenwashing avançou sobre empresas e setores realmente sustentáveis, como é o caso do mercado de embalagens de papel e papelão ondulado. Há impacto de alegações falsas, como dizer que “não usar papel economiza árvores e reduz a pegada de carbono”, numa tentativa de migrar tudo para o digital. A irrealidade disseminada afeta diretamente o setor – e o motivo é meramente econômico, tentando minar a credibilidade da indústria.

Uma pesquisa da Two Sides North America (TSNA) mostra os efeitos prejudiciais que as repetidas alegações de greenwashing no setor: 65% dos consumidores que viram alegações de greenwashing contra o papel são influenciados a mudar para versões digitais. Mas uma campanha anti-greenwashing da TSNA já conseguiu preservar mais de US$ 300 milhões em receita anual para o setor.

“O greenwashing antipapel vem aumentando à medida que as pressões inflacionárias levam grandes corporações e outros provedores de serviços a implementar cortes de custos mais profundos”, diz a Two Sides em seu site. “Mas o greenwashing não é exclusividade do setor de serviços e os papéis de impressão não são os únicos produtos em risco. A demanda por embalagens em papel e papelão ondulado como uma solução mais sustentável vem ganhando força, uma vez que o papel vem de fontes renováveis, é reciclado e biodegradável. Apesar disso, alegações infundadas para promover embalagens feitas com outros materiais em comparação com o papel vêm aumentando. E a constante repetição pelas mídias de mitos ambientais sobre o papel só serve para reforçar o ‘efeito ilusório da verdade’ que tentam disseminar”.

Comunicar bem e ser transparente ajuda na compreensão e no esforço para diminuir as práticas acusatórias de greenwashing. Nenhuma empresa é 100% sustentável, mas é preciso mostrar que está no caminho, que há investimento e o que a companhia está fazendo e desenvolvendo para realmente diminuir as emissões e ser mais sustentável. Afinal, se tornar mais sustentável não acontece de uma hora para outra.

A Two Sides é a única organização com uma campanha efetiva anti-greenwashing para combater diretamente o greenwashing contra o papel em sua origem. É um esforço contínuo de comunicação e investigação. Segundo a própria Two Sides, a campanha já eliminou cerca de mil casos de alegações ambientais infundadas contra o papel na última década. A luta é constante e ela está acontecendo neste momento.

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